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Pintinho e as unhas do Papai Noel
Era uma vez um menino que bem poderia ser de New York, Paris, Londres, São Paulo… Mas era de uma metrópole muito mais importante: Codó , no Estado do Maranhão.Esse pobre pirralho, apesar de confessar a religião cristã como a maioria dos brasileiros (ainda que não se comportem como tal, dando razão a Gandhi), acreditava na festa pagã - que muitos crêem piamente que faz referência ao nascimento do filho do Deus dos cristãos – tinha um sonho: conhecer ao Baal da coca-cola (São Nicolau de Bari, Turco, não precisamente cristão) redesenhado pelos reis do marketing dessa poderosa empresa de refrigerantes. Hoje o conhecemos como Santa Claus, Papai Noel, o Bom Velinho…
Bem. Como por essas épocas os corações estão mais brandos com o tal espírito natalino, Pintinho, assim se chamava o protagonista da nossa história, teve a brilhante idéia de apelar para o deputado local.
O barão dos cocais, depois de fazer-lhe esperar cinco horas e meia sem café e sem almoço, decidiu dedicar-lhe uns quantos minutos. O jovem lhe explicou seu absurdo sonho e conseguiu comover o político que lhe prometeu que pessoalmente não poderia ajudar-lhe (vítima sofrida de uma CPI que investigava uma viagem que os deputados do Estado fizeram à Disney no ano passado com familiares em um avião particular com uma injusta suspeita de que fosse paga com dinheiro dos contribuintes. Injustiça, claro!), porém ligou imediatamente para o gerente da fábrica de refrigerantes da capital. Pintinho ao perceber o sorriso torto na cara do deputado, percebeu que as notícias poderiam ser boas. Efetivamente!
Na semana seguinte, Pintinho já estava dentro da van a caminho da capital. Estava cheio de ilusão porque além de conhecer o velho barbudo, iria conhecer o mar.
Passou pelo Estreito dos Mosquitos tão rapidamente que quase não pode apreciar as lamas do mangue e ficou surpresa com a primeira parada em um lugar depois das pontes aonde havia um montão de caminhões estacionados e muito movimento.
Observou que se aproximou um homem com um uniforme, saudando ao estilo militar ao motorista e trocando umas palavras rápidas e depois de alguns intermináveis segundos e um dissimulo ridículo, estendeu a mão esquerda para receber uma nota.
Liberou o veículo e Pintinho ouviu a conversa do motorista com o passageiro do lado e o mais nítido que pode entender foi algo sobre que o fardado teria solicitado algo para o café (o famoso “imposto revolucionário”).
Já estava na porta do gerente que lhe estava esperando com as câmaras de televisão e tudo. Com cara de assustado, recebeu um abraço do gerente que sempre olhando para as câmaras, deu com ele um passeio pela imensa fábrica e disse que ele poderia tomar toda coca que pudesse. Também recebeu presentes e… De repente, em momento solene, o homem tira do bolso do paletó um envelope e diz: Querido Pintinho, aqui estão as passagens para a Lapônia. – - Você vai viajar a Finlândia para conhecer nosso querido Papai Noel. Com tudo incluído, claro.
Pintinho ao ouvir aquilo, sentiu como se disparava seu coração e se perguntou onde ficaria aquilo e na sua cabeça pensou que deveria ser um lugar muito distante de onde se encontrava agora mesmo.
Foi tudo muito rápido. Depois de passar pela Polícia Federal, retirar seu passaporte e ser levado a um shopping recebe mais presentes em forma de roupas de abrigo. Explicaram-lhe que Finlândia era um país frio e que essas roupas estranhas eram para abrigar-lhe bem.
Esteve dois dias num bom hotel de frente pra praia, tomou café da manhã e degustou coisas que ele só tinha visto pela televisão. Depois das refeições tomava todos os tipos de sorvete que existiam por ali. Sobre sorvetes: Pintinho somente havia provado os sorvetes do homem da bicicleta que quando passava gritava: Trraaaggaaa aaaa vvvaaaasilhaaa, oiiitooo booolaaassss deeee sooorveeteee poooor ummmm rreeeaaall, e esses sorvetes eram muito melhores que aqueles.
Aeroporto. Um avião! O funcionário que lhe acompanhava parecia acostumado a aquelas peripécias, mas ele estava assustado e pensava que tudo aquilo era um sonho. Finalmente viajaria pra conhecer o homem que lhe trazia os presentes todos os anos de sua curta vida.
O avião baixou em Teresina para que subissem alguns políticos e passou também por Brasília. Pelo céu, depois do susto inicial, observava como tudo lá embaixo parecia pequeno e imaginou como se sentia Papai Noel voando no seu trenó.
Se o avião em São Luís parecia-lhe grande, em São Paulo ele se sentiu pequeno ao ver o Boeing 747 que lhe esperava. O acompanhante levou-lhe a uma parte muito mais espaçosa que a do avião anterior e lhe disse que era algo assim como primeira classe. Um luxo tremendo ao que ele não estava acostumado. Despega e dessa vez o susto foi ainda maior, mas uma vez no ar, com os ouvidos apertados e estralando, relaxou e dormiu bem pela primeira vez em muitos dias.
Acordou com a voz do comandante pelos alto-falantes e, ao olhar pela janelinha, viu como o verde que havia deixado no Brasil, agora era de um branco intenso. Finalmente realizaria o seu sonho!
Não havia tempo a perder. Taxi, hotel, comida, taxi, carro… Estava cansado, porém se sentia com forças suficientes para fazer o último trecho num veículo puxado por uns cachorros brancos e sem pneus que lhe explicaram que se chamava trenó e era o único transporte para chegar à casa do Santa.
Depois de algumas horas de viagem, com a bunda quadrada e a cara meio congelada, Pintinho avistou uma bonita casa com muitos viadinhos passeando por ali.
Na porta lhe esperava um senhor de avançada idade e vestido com um pijama branco adornado com motivos natalinos, pantufas e luvas brancas. Era ele! Era Papai Noel!
Pintinho pula do trenó sem temor, sai correndo e sem pensar duas vezes, dá um abraço bem apertado ao Bom Velinho. Papai Noel lhe sobe aos seus braços e lhe enche de beijos e é quando o menino percebe um forte cheiro de algo parecido à cachaça (A Vodka é muito usada nos países frios para esquentar o corpo e a alma).
À partir desse momento tudo foi alegria; os ajudantes do Papai Noel preparam um bom chocolate espesso acompanhado por umas deliciosas bolachas. Depois do desjejum, Pintinho acompanhado do seu novo e inseparável amigo, conheceram a fábrica de brinquedos do Santa e pode escolher o que ele quis. O menino não sabia que pensar e reagia com uma euforia nunca antes experimentada. Mas, uma coisa lhe chamou muita a atenção… O bom velinho já tinha trocado de roupa e vestido as que recebeu da empresa que lhe patrocinava, mas não tirava as luvas nem pra comer e o pirralho sentiu muita curiosidade sobre esse detalhe e ficou imaginando: será que ele tem algum problemas nos dedos? Queimou a mão como Michael Jackson? Terá calos de tanto trabalhar?…
Chegou a hora de dormir e Pintinho, claro, não pode fechar os olhos nem por um momento pensando nesse sonho realizado e pela curiosidade de não saber por que o velho não tirava as luvas para nada.
No dia seguinte o feliz menino não parecia tão feliz, coisa que chamou a atenção do Noel , que continuava com as suas luvas, esperou o momento certo para perguntar-lhe qual era o motivo de tão aparente desencantamento. Pintinho pensou por intermináveis momentos e disse-lhe: – Estou muito, muiiiitoooo contente de haver realizado o grande sonho da minha vida que superou todas as minhas expectativas, porém, Papai Noel, há: coisa que me vem intrigando desde os primeiros momentos que eu cheguei aqui e gostaria, se for possível, que o senhor me respondesse com toda a sinceridade.
Noel disse que ele estaria feliz de responder qualquer dúvida que Pintinho tivesse e esclareceu que nunca ninguém saiu triste daquela casa.
Pintinho disparou:
- Qual é o verdadeiro motivo pelo o qual o senhor nunca tira as luvas?
Papai Noel, lhe sorri amavelmente como sempre e começa a descalçar suas inseparáveis luvas e Pintinho, nesse exato momento, viu que o Santa praticamente não tinha unhas e lhe perguntou meio nervoso: Papai Noel, o senhor… é… roi… as… unhas?
E, num gesto mais que natural e muito conhecido por todos, respondeu: Rôo, rôo, rôo.
Feliz Natal!

Pelo menos o valor equivalente à economia da Bolívia foi desviado dos cofres do governo federal em sete anos, de 2002 a 2008, informa reportagem de Mariana Carneiro, publicada na Folha deste domingo. Assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha, podem ler a 










